Nem só nos aspetos técnicos, como a eficiência energética, se devem focar as preocupações de sustentabilidade dos edifícios de escritórios, mas também sobre as pessoas que utilizam diariamente.
Um paper publicado pela youris.com e divulgado pela Comissão Europeia através do Community Research and Development Information Services, mostra que os edifícios de escritórios “verdes”, além de protegerem o ambiente também podem bene? ciar os seus utilizadores.
Embora muitas vezes as preocupações com a sustentabilidade dos edifícios de escritórios se centrem nos aspetos técnicos do imóvel, tal como a e? ciência energética, também devem focar-se nas pessoas que utilizam o edifício, uma preocupação que parece estar a ganhar corpo junto das empresas e dos seus stakeholders. “O awareness dos benefícios não-ambientais dos edifícios verdes está a crescer”, refere o documento.
De facto, um paper desenvolvido pelo European Joint Research Centre identi? ca “os espaços saudáveis e confortáveis” como um dos fatores essenciais para avaliar a performance ambiental de um edifício e também um relatório de 2014 do World Green Building Council indica existir um enorme potencial para que os edifícios de escritórios verdes possam oferecer espaços de trabalho confortáveis e saudáveis aos seus utilizadores.
“Na verdade, há claros indícios Susana Correia FOTOS DR de que as pessoas são mais felizes em edifícios desse género”, comenta Andrew Smith, que estuda as áreas de facilities management e ambiente construído na Universidade de Central Lancashire, no Reino Unido e citado neste paper. Fatores como a quantidade de luz natural ou materiais naturais que são utilizados nos edifícios contribuem para essa satisfação, refere este especialista, para quem “o bem-estar no local de trabalho pode resultar num aumento da produtividade dos colaboradores e até mesmo impactar positivamente a satisfação dos clientes”.
Mas uma nota de alerta é deixada pelos especialistas. Melhorar a e? ciência energética de um edifício , que é a área em que mais se atua no âmbito da sustentabilidade dos edifícios de escritórios , não equivale uma melhoria automática no ambiente de trabalho, tal como mostra também um estudo sobre edifícios de escritórios desenvolvido pelo professor Lukas Windlinger Inversini, da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique, na Suíça. Tal deve-se ao facto de os materiais utilizados nas fachadas do edifício e a sua qualidade construtiva não serem os únicos fatores a contribuir para o conforto dos utilizadores, já que “o design dos interiores também desempenha um papel muito importante”, refere aquele professor.
Envolver os utilizadores Para este académico, a forma de aplicar estes princípios de sustentabilidade “não-ambiental” no edifício tem que passar por “envolver os utilizadores no planeamento dos espaços desde o início, mesmo que seja difícil na prática, refere Windlinger.
Este foi o princípio que norteou os arquitetos do Nu-O? ce, em Munique, na Alemanha. O edifício recebeu em 2013 a certi? cação LEED Platina em Edifícios Verdes. “Consultámos os inquilinos de forma intensiva e quisemos saber quais as suas necessidades antes da construção do edifício” diz Oliver Vietgen, da Facit GmbH&Co, empresa que coordenou o projeto e construção do edifício. O Nu-O? ce já está a ser utilizado há mais de três anos e é um dos casos de estudo do projeto DIRECTION (Demonstration of Very Low Energy New Buildings), que pretende demonstrar como as tecnologias podem ajudar a conseguir edifícios de muito baixo consumo energético. Neste projeto, o plano de e? ciência energética inclui um sistema de aquecimento a baixas temperaturas, um sistema de ventilação com recuperação de calor e um sistema externo de sombreamento. Como parte deste projeto, foi realizado um inquérito aos utilizadores para avaliar se as medidas O Nu-Office, em Munique, na Alemanha, é caso de estudo em termos de edifícios de escritórios sustentáveis na Europa de e? ciência energética bene? ciaram as pessoas que trabalham no imóvel.
“O inquérito mostra que os utilizadores estão, em geral, muito satisfeitos com o edifício”, disse Jan Kaiser, researcher do Fraunhofer Institute for Building Physics IBP em Kassel, na Alemanha, e pro? ssional que tem estado envolvido no desenvolvimento e implementação das medidas de e? ciência energética. “Os utilizadores estão particularmente satisfeitos com a qualidade do ar interior e com a temperatura”, disse, acrescentando, contudo, que há algumas lições a considerar. Por exemplo, “os utilizadores têm problemas com o sombreamento automático e preferem regular manualmente”, disse Vietgen.
Além disso, para minimizar o uso da energia, o sistema de ventilação deveria apenas funcionar durante o verão e o inverno e não durante a primavera e o outubro, mas agora é utulizado durante todo o ano. E isso “é porque os utilizadores não abrem as janelas para apanhar ar fresco”. Por isso mesmo, “as pessoas sentirem-se bem num determinado edifício depende da forma como o usam”, diz Windlinger. E daí a importância de “encontrar um compromisso entre a e? ciência energética e as exigências dos ocupantes desde o início”, remata Vietgen.
Escritórios “verdes” também contribuem para ter colaboradores mais produtivos Nem só nos aspetos técnicos, como a eficiência energética, se devem focar as preocupações de sustentabilidade dos edifícios de escritórios, mas também sobre as pessoas que utilizam diariamente.
Posted on 24-02-2016 in Publico